Integração da gestão ambiental nas atividades de inovação

A inovação nos processos e serviços é uma necessidade atual das empresas e devem estar alinhadas com a sustentabilidade.

“As atividades de inovação compreendem os esforços de pesquisa e desenvolvimento de processos e de produtos, realizados intra ou extra-muros, além da transferência de tecnologias através de licenciamento ou outras formas de intercâmbio tecnológico.” (FERRAZ et alii, 1995:3).

inovação e consumo

No domínio da inovação, propõe-se que os esforços de integração da variável ambiental podem resultar no que chamaram de innovation offsets, que consistem em um tipo de inovação que oferece a dupla possibilidade de reduzir os custos de entrada em conformidade com a regulamentação e de construir vantagens absolutas sobre outras organizações (PORTER & VAN DER LINDE,1995).

Ainda, de acordo com PORTER & VAN DER LINDE (1995), os innovation offsetspodem ser de dois tipos: inovações de produto ou inovações de processo:

Inovações de produto (product offsets): ocorreriam quando o produto em questão tem não apenas o seu desempenho ambiental melhorado, mas também apresente melhorias em outros critérios, como: melhor desempenho técnico, melhor qualidade, mais segurança, redução de custos (pela substituição de materiais ou pelo uso de menos embalagens, por exemplo), melhor preço de revenda ou maior possibilidade de reaproveitamento (devido a facilidades de reciclagem ou de desmanche, por exemplo) e redução de custos para sua disposição final.

Inovações de processo (process offsets): ocorreriam quando, ao lado da redução da poluição, o novo processo leva a: melhor produtividade dos recursos; menor downtime(seja devido ao melhor controle seja à manutenção mais cuidadosa); economia de materiais (devido à redução, substituição, reutilização ou reciclagem de insumos); melhor utilização de subprodutos; menor consumo de energia durante a produção; redução de estoques de materiais (e dos custos associados); conversão de resíduos em subprodutos com valor agregado; redução de custos com disposição de resíduos e maior segurança no ambiente de trabalho.

Essas inovações podem ter início através de exigências legais ou tendências mundiais voltadas a sustentabilidade.  Para o desenvolvimento dessas ações é necessária uma gestão ambiental consolidada.

Casos de inovação conhecidos internacionalmente voltados a gestão ambiental e sustentabilidade, como o caso da fabricante de circuitos eletrônicos Raytheon que, após a implementação do Protocolo de Montreal (que decidiu pelo banimento dos CFCs, apontados como degradadores da camada de ozônio), substituiu o CFC empregado para a limpeza de placas de circuito eletrônicos por novo agente de limpeza e usufruiu de significativa redução dos custos da operação. A seguir, o caso da Robbins Co., uma joalheria americana que, no momento da expiração de suas licenças, fechou o circuito das águas residuais e alcançou uma melhor qualidade do processo e do produto final. Finalmente, o caso da Hitachi que, após a implementação de uma lei de reciclagem no Japão, investiu no design de seus produtos, reduzindo o tempo de desmanche e, conseqüentemente, os custos do produto. Ainda com relação ao tema das inovações, relatam o caso da Siemens, que expandiu sua participação no mercado quando desenvolveu uma nova geração de máquinas de lavar que economizam 40% de eletricidade, 50% de água e 50% de tempo (Corazza, 2003).

E no Brasil, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) traz incentiva e traz a público iniciativas das empresas voltadas a sustentabilidade, assim outras empresas com produtos e/ou serviços similares possam seguir em busca de melhorias através de exemplos concretos. Esses casos de inovação inspiradores chamados pela CETESB de “ “Casos de Sucesso em PCS (Produção e Consumo Sustentável) e P+L (Produção Mais Limpa) disponíveis em:  http: //consumosustentavel.cetesb.sp.gov.br /casos-de-sucesso/.

Assim, podemos concluir que as integrações ambientais nas organizações possibilitam que as alterações se traduzam em melhor desempenho ambiental.

 

Referências bibliográficas

CETESB, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Produção e Consumo Sustentável. disponível em: http://consumosustentavel.cetesb.sp.gov.br/casos-de-sucesso/

CORAZZA, R. I. ORGANIZAÇÕES – GESTÃO AMBIENTAL E MUDANÇA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL. RAE- eletrônica – v. 2 · n. 2 · jul-dez/2003.

PORTER, M. E.; VAN DER LINDE, C. Toward a new conception of the environment-competition relationship. Journal of Economic Perspectives, v. 8, n. 4, p. 97-118, 1995.

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